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Spectrovenator ragei

O Spectrovenator foi um pequeno dinossauro carnívoro que viveu no início do Período Cretáceo no norte de Minas Gerais. Ele é um dos mais antigos representantes da família dos abelissauros, que seriam os predadores mais comuns no Brasil e em boa parte do planeta no final da era dos dinossauros.

CLASSIFICAÇÃO:

 

FILO: CORDADO

CLASSE: REPTILIA

SUPERORDEM: DINOSAURIA

ORDEM: SAURISCHIA

SUBORDEM: TEROPHODA

INFRAORDEM: CERATOSAURIA

SUPERFAMÍLIA: ABELISAUROIDEA

FAMÍLIA: ABELISAURIDAE

GÊNERO: SPECTROVENATOR

ESPÉCIE: SPECTROVENATOR RAGEI

Spectrovenator

 Fig. 1: Arte de Sergey, retirado de https://www.deviantart.com/atrox1

DESCOBERTA:

     Em 2005, na zona rural de Coração de Jesus, no norte do estado de Minas Gerais, ossos fossilizados começaram a aparecer no solo. Isto chamou a atenção de moradores locais, como o senhor José Adão Pereira de Souza, que recolheu um desses ossos e, mais tarde, após o envolvimento de outras pessoas, resultaria na descoberta do dinossauro Tapuiassauro. Os fósseis do Tapuiassauro foram levados em grandes blocos de terra, retirados do solo pela equipe da Universidade Federal de São Paulo, para serem preparados em local mais adequado, no caso o Laboratório de Paleontologia do Museu de Zoologia da universidade.

    Entre 2007 e 2011, enquanto retiravam os últimos restos do Tapuiassauro do bloco, os profissionais perceberam que havia outro fóssil logo abaixo do pescoço. Tratavam-se de um esqueleto fossilizado bem preservado, articulado e quase completo de um terópode pequeno. Ao que tudo indica os dois dinossauros morreram e seus corpos permaneceram praticamente no mesmo local, bem articulados, embora expostos por um período. Isto permitiu que os crânios de ambos se preservassem, bem como o restante do esqueleto, estando entre os mais bem preservados já encontrados no Brasil.

   Em 2020, após anos de pesquisa, o dinossauro terópode foi identificado como um abelissauro muito antigo, batizado de Spectrovenator pelos paleontólogos Hussam Zaher, Diego Pol, Bruno Navarro, Rafael Delcourt e Alberto Carvalho. Esta descoberta preencheu uma lacuna importante na história dos abelissauros, pois quase nada se sabe desse grupo de dinossauros antes deles se diversificarem no Cretáceo Superior.

Spectrovenator

 Fig. 2: Crânio do Spectrovenator. Retirado do artigo original (adaptado).

ETIMOLOGIA:

   O nome do dinossauro é Spectrovenator ragei. O nome do gênero é a junção das palavras latinas spectro e venator, que significam fantasma e caçador, respectivamente. O nome caçador fantasma faz alusão ao fato dos fósseis dele estarem escondidos debaixo do Tapuaiassauro, só descobertos no laboratório, por acaso. O nome da espécie é uma homenagem à Jean-Claude Rage (1943-2018), paleontólogo francês que muito contribui com pesquisas de anfíbios e répteis fósseis.

Spectrovenator

O DINOSSAURO:

    O Spectrovenator foi um dinossauro bípede, carnívoro, de um metro de altura e 1,5 metros de comprimento, focinho comprido, mãos bem pequenas, terminadas em quatro dedos pouco funcionais. Sua alimentação era genérica, podia caçar presas grandes ou pequenas, provavelmente realizando emboscadas ou trabalhando em equipe junto a outros de sua espécie.

    O crânio do Spectrovenator era cheio de irrigações sanguíneas, de modo que sobre sua cabeça, a partir das narinas, deveria existir algum tipo de superfície rugosa, porém sem apresentar nenhum chifre. Esta característica está presente em muitos abelissauros que surgiriam ao longo de milhões de anos. É possível que esta estrutura fosse usada como comunicação entre sexos diferentes, bem como para intimidar concorrentes ou ser usado em disputas, sendo que os dinossauros dariam cabeçadas uns nos outros, no estilo marrada.

    Seus fósseis foram encontrados na Formação Quiricó, em Minas Gerais, indicando que viveu entre 129 e 125 milhões de anos atrás, entre o Barremiano e o Aptiano, durante o Período Cretáceo. Naquela época a região era formada por florestas de coníferas e samambaias, sendo que havia aridez na região, mas com rios e lagos cortando a paisagem. Ainda existe a evidência de um braço de mar, vindo do recém-nascido Oceano Atlântico, até a parte do norte de Minas Gerais.

Spectrovenator

ABELISSAURO ANTIGO:

    A família dos abelissauros surgiu durante o meio do Jurássico, tendo relações com os Ceratossauros. No final da era dos Dinossauros, os abelissauros eram os dinossauros carnívoros dominantes da região sul do planeta e em partes da Europa. Ainda assim, pouco se sabe sobre o desenvolvimento desta grande família ao longo das eras, pois os materiais mais completos são de abelissauros do final do Cretáceo.

   O Spectrovenator, devido ao seu excelente estado de conservação, apresenta características intermediárias entre os mais antigos e mais recentes abelissauros. Seu focinho ainda era comprido, diferente dos últimos dinossauros deste grupo, indicando que sua mordida não era tão potente. Seu tamanho era muito pequeno em comparação a outros abelissauros, mas como nenhum estudo evidenciando que ele era um juvenil foi feito, presume-se que o fóssil descoberto era de um adulto e seu tamanho reduzido deveria ser vantajoso para um animal de dieta generalizada.

    Além do Spectrovenator, os mais antigos exemplos dessa família são o Eoabelissauro, do Jurássico da Argentina, e restos de dentes encontrados na formação Missão Velha, no Ceará, datado do final do Jurássico e início do Cretáceo. Tal dente é intermediário entre os 30 milhões de anos que separam Eoabelissauro e Spectrovenator.

Spectrovenator

CURIOSIDADES:

    A cabeça do Spectrovenator é muito parecida com o formato dos filhotes do monstro fictício Godzilla, conforme fora feito para o filme Godzilla de 1998, algo que foi percebido tanto pelos paleontólogos quanto pelo público.

   Apesar de ter sido encontrado de baixo do Tapuiassauro, o Spectrovenator não tinha tamanho suficiente para atacar este dinossauro, indicando que ambos os corpos acabaram próximos. Também não há evidência de que Tapuiassauro tenha sido atacado por outro dinossauro nem que o Spectrovenator tenha sido esmagado em vida pelo Tapuiassauro. Contudo, isto ainda está em aberto.

Spectrovenator

 Fig. 6: Arte de Felipe Elias, retirado de https://www.paleozoobr.com/c%C3%B3pia-arte-art

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Zaher, H., Pol, D., Navarro, B. A., Delcourt, R. & Carvalho, A. B. (2020) An early cretaceous theropod dinosaur from Brazil sheds light on the cranial evolution of the Abelisauridae. C.R. Palevol. https://doi.org/10.5852/cr-palevol2020v19a6

 

Ribeiro, T. B., Cupello, C., de Mayrink, D., da Costa Pereira, P. V. L. G., & Brito, P. M. (2025). A theropod tooth from the Missão Velha Formation (Late Jurassic-Early Cretaceous) of the Araripe Basin: oldest Brazilian Abelisaurid record. Historical Biology, 37(4), 827–837. https://doi.org/10.1080/08912963.2024.2336982

 

Carvalho I.S. & Kattah S. (2024). The Dinosaur footprints in the Cretaceous aeolian deposits of Sanfranciscana Basin. In Carvalho I.S. & Leonardi G. (eds), Dinosaur tracks of Mesozoic basins in Brazil: impact of paleoenvironmental and paleoclimatic changes, Springer Nature Switzerland: 123-145.

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